Dracena, Domingo - 22 de Setembro de 2019

Ser criança no século XXI ,professora esp.Fátima Simoni Consoni

 Ser criança no século XXI

 

Por Profa. Esp. Fátima Simone Consoni, curso de Psicologia da Unifadra.

 

No dia 21 de março comemorou-se o Dia Mundial da Infância. Essa data   representa um período de reflexão de como vem acontecendo a formação integral da criança. A iniciativa para a criação desta data foi do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com o objetivo de conscientizar pais, responsáveis e governantes sobre a importância de garantir uma boa formação às crianças.
A data lembra ainda que todas as crianças têm direito à liberdade, devem ser tratadas com dignidade e viver num ambiente saudável, longe de qualquer tipo de exploração, agressão, descuido e discriminação. Neste contexto, vale destacar que a infância nem sempre recebeu tanta importância quanto hoje. Ser criança no século XXI significa ter uma série de direitos como educação, saúde, alimentação e o fundamental direito à vida.
Entende-se que a infância é uma construção cultural, social e histórica, sujeita a mudanças. A obra de Ariés (1978) apresenta-se como uma importante fonte de conhecimento sobre a infância, sendo considerada por autores como Del Priore (2004) e Freitas (2001), como um trabalho de grande reconhecimento na análise e concepção da infância. Ariés delineou um perfil das características da infância a partir do século XII, no que diz respeito ao sentimento sobre a infância, seu comportamento no meio social na época e suas relações com a família. Por meio dos textos descritos é possível perceber a fragilidade da criança, assim como sua desvalorização.
A ONU (Organização das Nações Unidas), em 1959, aprovou a Declaração Universal dos Direitos da Criança, que inclui direitos como igualdade, escolaridade gratuita e alimentação. Considerando a construção histórica da infância no Brasil, a partir da década de 90, com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a criança passa ser entendida de maneira diferente de outrora, ocupa lugar de destaque na sociedade. Criou-se uma consciência sobre a importância das experiências durante a primeira infância e, com o objetivo de possibilitar seu melhor desenvolvimento, surgem políticas públicas e programas que ampliam as condições para sua cidadania.

“O ideal de infância do século XXI traz a imagem de uma criança feliz, saudável e inteligente, que tem a chance de desenvolver seu potencial máximo desde o início da vida.” Mas apesar de tanta evolução, ainda há grandes caminhos a serem percorridos. No que diz respeito à educação, por exemplo, a desigualdade começa ainda na primeira infância. De acordo com o IBGE, quase 30% das crianças mais pobres do Brasil não frequentavam a escola em 2013. Outra pesquisa, feita pela Fundação Abrinq em 2016, aponta que houve um aumento de 143 mil crianças e adolescentes ocupados pelo trabalho infantil entre 2013 e 2014 e mais de 60% vivem nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil.
Neste ínterim, é importante refletir sobre a escola como local de desenvolvimento e proteção para as crianças. Pode-se pensar que a escola tem sido mais um dos lugares, como a internet, entre outros, em que é possível se tornar visível. É para a escola que as crianças pós-modernas vão diariamente. “A escola é o segundo contexto que a maioria das crianças frequenta regularmente, representando um espaço de convívio social onde são construídas, principalmente, as interações com os pares e com os professores. Após a entrada da criança na escola, os professores podem se tornar uma fonte de segurança e apoio emocional, contribuindo para a adaptação dos estudantes ao novo ambiente” (PETRUCCI; BORSA; KOLLER, 2016).
Dentro deste contexto, cabe destacar que a formação de qualidade do educador é de fundamental importância, uma vez que ele cumpre um papel essencial no desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade como um todo, considerando que o conhecimento é construído socialmente, no âmbito das relações humanas.      

 

 

Foto: Profa. Esp. Fátima Simone Consoni, curso de Psicologia da Unifadra.

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